EDITORIAL

Muito já se andou...


Flavio Bitelman é publisher da View
Quero dividir com vocês a minha convicção de que o caminho percorrido pelo país nas últimas décadas tem sido longo e árduo e, apesar de ainda haver muito o que caminhar, principalmente no sentido de diminuir as dife-renças sociais, muito já se andou.
A vida de um país não é apenas o que os governos fazem. A sociedade civil (isto é, nós), também pode fazer muito e, aliás, já fez muito. Há apenas 18 anos vivíamos sob uma ditadura. O povo pediu e lutou por “Diretas Já” e, al-guns anos depois, o direito à escolha do líder da nação se tornou realidade.
Além da supressão dos direitos políticos dos cidadãos, quem não se lembra das crises econômicas, daquela inflação aceleradíssima que chegou a bater a casa dos 80% ao mês? Felizmente, isso hoje é passado e mal nos lembramos de como é viver com aquele dragão a consumir nosso dinheiro e bom humor.
Hoje em dia, há quem critique as privatizações promovidas pelo governo federal, mas esse movimento marcou dois importantes tentos: o primeiro, empresas eficientes como nunca se tinha visto até então. Lembra quanto custava um telefone e quanto tempo se demorava para conseguir um? Hoje parece até piada. O segundo é que se deu fim ao cabide de empregos e às mordomias que beneficiavam alguns poucos em detrimento da população.
Por outro lado, a sociedade só amadurece com democracia e troca de po-der. Precisamos estar abertos para viver um governo de esquerda sem crises. A Europa, somente depois de vivenciar a esquerda no poder, pôde amadurecer. Todos os políticos amadurecem ao passar pelo poder: deixam de ser atira-dores de pedra e adquirem responsabilidade, já que necessitam aprovar leis e convencer o congresso e seus membros de rincões e perfis tão diferentes. Ao passar por tais dificuldades é que os políticos aprendem de fato o que é política.
O Brasil de hoje é muito melhor do que o Brasil de ontem, mas, repito, ainda há muito o que caminhar. É necessário distribuir a riqueza entre todos os brasileiros para que possamos nos orgulhar de viver em um país como aqueles de Primeiro Mundo que às vezes temos o hábito de “invejar”. O se-gredo por lá é a distribuição de renda: a maioria das pessoas pertence à classe média, enquanto há poucos ricos e pobres.
O congresso que o povo brasileiro acabou de eleger é o mais à esquerda que já se viu, mas penso que não precisamos temer nada: basta lutarmos juntos por um país melhor. Este, sim, é o sonho de todos. Países como Itália, França, Alemanha e Suécia já foram de esquerda, de centro e de direita e amadureceram muito com isso.
Vamos sonhar e lutar por um Brasil que cresça e distribua suas riquezas entre todos. Esse crescimento, sem dúvida, virá acompanhado por mais brasi-leiros usando óculos e o mercado óptico em geral, tanto o varejo quanto os seus fornecedores irão vender muito mais e gerar mais empregos. Boas vendas.

Flavio Mendes Bitelman
Publisher
bitelman@amcham.com.br