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Tufi Duek
Texto Andrea Tavares
Fotos André Penteado
Depois do sucesso na moda e prestes a completar 20 anos de uma marca celebrada nos quatro cantos do país e agora também no exterior, o estilista Tufi Duek parte para o universo dos óculos, lançando a Forum Eyewear.
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Ele não tem o menor pudor em afirmar que "Tufi Duek e Forum são uma coisa só", tamanha a sua simbiose com a empresa e o amor pela moda. O que qualquer líder orgulhoso de sua própria corporação denominaria como "cultura da casa", ele chama de DNA. Não é à toa: não esconde de ninguém que seus códigos genéticos parecem estar de fato impressos na alma da Forum e vice-versa.
Tudo começou aos 17 anos, quando trabalhava em uma malharia e decidiu partir para a carreira solo, fornecendo camisetas com a marca Triton para lojas de roupas. Marca esta que mantém em alta até hoje, para a qual reserva um perfil mais jovem e descompromissado.
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Desde então, realiza continuamente seus sonhos - sim, ele se declara um sonhador - e em 1981 abre esta que se consagrou como uma das griffes top nacionais. Extravasou sua criatividade e talento como designer de moda. Não há dúvidas de sua competência, por que quantas e quantas pessoas - especialmente as do sexo feminino -não foram dormir mais felizes por terem adquirido uma peça Forum que tanto desejavam? E quantas outras não pararam extasiadas diante de uma vitrine, imaginando-se dentro daquela roupa?
Provavelmente, é porque a moda é a sua verdade. E tem plena sensação de que deixa um pedaço de si próprio com cada um dos consumidores que saem das suas lojas com alguma aquisição. Sacrifício? Não, mera doação. De si próprio.
Tufi se consagra pela brasilidade cosmopolita e contemporânea em suas criações. Não aqueles com tons caricatos que associam o país a algo folclórico, mas de uma nação urbana nas atitudes e que busca o respeito no cenário mundial. As fontes em que prefere beber são a modernidade, a sensualidade, a arquitetura e a cultura.
Com ele e alguns outros líderes desse mercado, a moda brasileira atingiu a maturidade e, de uns anos para cá, virou assunto sério: passou a ser considerada business, figurando nas estatísticas nacionais, páginas de economia e gerando assunto até nas mais sisudas rodinhas de negócios. "O estilista não é apenas aquele que cria, mas o que entende o seu lugar e consegue perceber a importância do design, da qualidade, da distribuição e do marketing", define. É isso aí.
"É preciso evoluir. Quem evolui mais rápido é quem arrisca e, sem dúvida, sairá na frente e conseguirá seu espaço. Eu não conheço ninguém que arriscou, que não tenha evoluído. Eu só conheço aqueles que perderam porque tiveram medo de vencer."
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Qual é a sua relação pessoal com óculos?
Eu uso óculos para ler e óculos escuros, obviamente. Para mim, óculos são como a calça jeans que eu tenho dentro do armário. São uma necessidade.
Eu não conheço ninguém que não tenha óculos, pelo menos de sol. Eles estão tão inseridos no contexto... Há o aspecto da necessidade, quem usa e nasceu precisando, e o aspecto da moda, que hoje é super importante. Já se criou a necessidade dos óculos. Não é mais um supérfluo. Há a necessidade de tê-los.
O brasileiro é fashion? O que você acha do uso dessa expressão? Agora, tudo virou fashion...
O brasileiro está aprendendo a dosar o seu ritmo na moda, o que é necessário para criar seu próprio estilo. As pessoas no Brasil estão descobrindo que têm o direito de ser quem é. Antes, nós éramos grandes seguidores das tendências do mundo inteiro, das modas que não se adaptavam nem ao clima, nem à situação econômica ou à cultural. Hoje, não. O Brasil se respeita. Por quê? Porque a moda tornou-se um assunto interessante, passou a ser algo de importância nacional como negócio.
Há cinco ou seis anos, o jornal não dava nem espaço para moda. Éramos colocados no cantinho do jornal como um bando de loucos. Hoje, não: nas manchetes dos jornais se fala de moda, nas colunas de economia e negócios também... Já se caminha para um cenário mais maduro no mundo da moda. Até porque os designers brasileiros estão se preocupando em ser mais profissionais. Atualmente, moda é um negócio como qualquer outro.
Somente a Forum tem 1,6 mil funcionários. Quantas famílias no país não dependem da moda hoje em dia? Ela é tão importante que 90% dos 5 ou 6 milhões de metros quadrados dos shopping centers do país correspondem a lojas de roupa ou de acessórios de moda. É por isso que o Brasil passa a ser fashion nesse sentido, conquistando credibilidade e respeito como negócio. Fashion não do lado pejorativo, mas em termos de respeitabilidade mesmo.
Qual é o papel da Forum nesse boom da moda nacional?
A Forum é pioneira e a minha inspiração é sempre o Brasil. Foi a primeira griffe a buscar inspiração no próprio país, até porque quando se descobre o que acontece ao lado, pode-se tirar proveito disso.
A cultura da Forum é perceber o quanto este país pode oferecer. E isso, de alguma maneira, não me prende a pensar exclusivamente no Brasil de um jeito folclórico ou exótico. Pelo contrário: me faz mostrar o quanto se pode ser cosmopolita nas atitudes.
O DNA da empresa, isto é, a espinha dorsal para criar as coleções, é baseado principalmente na brasilidade. Qualquer coisa que me remeta à brasilidade é uma fonte de inspiração muito grande, seja a arquitetura, a sensualidade, as cidades etc.
Obviamente, preciso estar o tempo todo buscando informação no mundo inteiro, porque o Brasil é um país globalizado. Tudo o que acontece lá fora, também acontece aqui e com muita velocidade, há todos os meios e os mecanismos. Isso me faz ver o quanto estamos conectados e o quanto a moda do Brasil evoluiu com isso. Esse é o principal fator principal que deixa o Brasil em condições de igualdade com a Europa e os Estados Unidos.
Qual a influência da moda internacional no país?
Criou uma competitividade muito boa e estimulou a moda nacional a buscar algo em termos de design e qualidade comparável aos europeus e aos americanos, fazendo-a cortar o cordão umbilical da criatividade e buscar inspirações próprias, criando propriedade no design, o que eu acho fundamental para quem busca não apenas manter sua marca. Ela é o ponto forte para continuar crescendo e, ao mesmo tempo, gerar um mercado de exportação.
A Forum seguiu uma trilha completamente nova e muito abrangente. Depois de construir e tornar sólido um dos mais fortes nomes do país em moda, buscamos o licenciamento como maneira de difundir uma marca que as pessoas observam, desejam, respeitam e tem algo que é muito próprio: a brasilidade cosmopolita.
E agora foi a vez de licenciar os óculos com a marca...
Em relação à linha óptica, optou-se por fazer o melhor. Nossos óculos são fabricados na Itália. Eu tenho uma assistente, brasileira radicada na Itália, que está em sintonia com esse DNA que eu já lhe falei de urbanidade, brasilidade e sensualidade, e traduz isso para os óculos.
O principal é ter o produto moda, o elemento de condução para todas as vias de licenciamento. Acredito que a linha de óculos da Forum está apta a competir com todas as marcas, inclusive as internacionais.
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"O óptico precisa perceber que a evolução vai atingi-lo, quer queira, quer não. Se mantiver o conservadorismo para não correr riscos, mal sabe o quanto estará deixando de ganhar dinheiro."
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Você não acha que é um produto que pode ser considerado um tanto conceitual por uma boa parte do varejo de óptica? Por falar nisso, que dicas você daria para um lojista acreditar e investir em produtos de perfil diferenciado?
Às vezes, nós colocamos a palavra "conceitual" de uma forma errada. O pessoal de óptica tem de começar a entender o que o meio da moda já entende hoje, porque, antes, nem ele entendia. Conceitual é o que uma pessoa transmite como a concepção de sua criatividade; é a roupa que se põe na parede e não se usa.
Sempre se deve acreditar no que é diferente... Hoje, as pessoas estão em busca do que é novo, querem extravasar. Por isso os novos designs de óculos que a coleção da Forum apresenta não são para mostrar, conceituais, são para usar. E todo mundo usa. As máscaras, por exemplo, não são uma exclusividade nossa; é algo presente no mercado mundial.
O que o óptico precisa perceber é que a evolução vai chegar a ele, quer queria, quer não. Se mantiver o conservadorismo para não correr riscos, mal sabe que estará resistindo a algo que vai lhe trazer mais negócios. Com isso, deixa de crescer através de um novo produto, de uma nova idéia que está se desenvolvendo. Imagine, por exemplo, se a Nike não revolucionasse o mercado de tênis? Todo mundo estaria usando Bamba até hoje... Mas por que o Bamba morreu e a Nike é um sucesso total? Foi arrojada, mostrou produtos novos e conquistou admiração de todo mundo.
Tenho convicção do que estou falando porque na moda é assim e no setor óptico não é diferente, porque hoje em dia moda e óculos andam muito juntos. Óculos são uma necessidade da indumentária da pessoa, tanto os de grau como os escuros. Quantas pessoas buscam algo novo e diferente? Centenas, milhares, milhões perseguem isso.
Se por uma questão de conservadorismo de estoque, o óptico compra sempre o mesmo modelo, o tal que vendeu bem, vai se surpreender positivamente quando colocar o novo na vitrine: é capaz de vender muito mais do que o antigo. Os que acreditam, são os que, sem dúvida, vão se destacar. Os que resistem ao novo envelhecerão, vão se tornar na óptica pequena de bairro, sem expressão.
A palavra conceito está sendo mal explorada e mal-entendida. É a modernidade que avança e o óptico tem de acreditar nessa modernidade. Sem nenhum tipo de conceituação ou idéia pré-concebida de que não vai ganhar dinheiro. Pelo contrário, quem sair na frente vai poder ter para si a imagem, o que é fundamental para qualquer empresa.
A linha óptica é a primeira experiência da Forum na seara do licenciamento?
Há outros produtos, mas acredito muito que os óculos serão bons difusores da marca, pois estão muito inseridos na moda. Óculos não são acessórios isolados, participam na própria criação da moda. E, quando se fala em moda hoje, tem de se falar em óculos também, não dá para fugir.
Qual a importância da moda na vida das pessoas?
Quando se fala de moda, sempre se pensa no supérfluo, mas ela tem várias funções: apresentar, colocar alguém socialmente e não apenas cobrir o corpo. A moda vem de sonho, fantasia, desejo e as pessoas gostam disso. Faz parte do ser humano a necessidade de sonhar e desejar ser seduzido para seduzir o tempo inteiro. Portanto, a moda é uma necessidade que as pessoas têm de se apresentar.
A roupa fala quem a pessoa é, com quem anda, como é a sua personalidade e revela também a timidez, a ousadia, a sensualidade, a intimidade, a inteligência, a beleza... Enfim, não dá para viver sem ela.
Mesmo o básico é moda. De alguma maneira, sempre se usa moda, seja ela conservadora, vanguardista, arrojada, casual. Não se pode classificar moda apenas pelo elemento de design da roupa. Moda é um todo, então, as pessoas têm de viver com ela.
E a influência que a griffe exerce?
Sempre houve griffe e sempre vai haver, pode ser a de uma loja, uma marca e um produto de qualquer área. Griffe não é apenas design, mas qualidade, conforto, acabamento etc. O desejo das pessoas é estar carregando design e qualidade; eu acredito que este é o ponto fundamental.
Para muita gente, por exemplo, Gucci é uma griffe, mas para outras tantas pessoas, Lojas Marisa é uma griffe. É o nível social de cada um, o que não deixa de fazer de cada uma delas uma griffe.
A griffe está em todos os lugares. Quando compra algo sem griffe, o consumidor tem receio se aquilo é bom ou ruim, se tem a qualidade que espera etc. Experimente comprar uma pasta de dente que nunca ouviu falar ou whisky de procedência duvidosa. Isso nada mais é que griffe também. Portanto, a griffe tem tanta importância no automóvel, no remédio, na bebida como na moda. É endosso de qualidade.
"O óptico tem inúmeras oportunidades no campo da moda. As ópticas podem ser lojas de moda e não apenas de serviço. Imagine vários consumidores disseminando a idéia de que a sua óptica tem algo diferente?"
Um breve resumo
Forum
www.forum.com.br
Ano de fundação: 1981
Marcas comercializadas: Forum, Triton e Tufi Duek (no exterior), com distribuição nos Estados Unidos, no Japão, na Inglaterra e na Alemanha
Lojas: 61, apenas da Forum, e presença nas principais lojas multimarcas de todo o país
Funcionários: 1,6 mil
O linha de óculos Forum foi lançada na Óptica 2000. Os óculos, de fabricação italiana, são distribuídos pela Italsol. A coleção é composta de 12 modelos solares
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