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 A opinião de um membro do setor
A bandeira da união
Sergio Veiga

"Somos profissionais da visão, temos responsabilidades com nós mesmos, com nossa atividade e principalmente com nosso país."
Sergio Veiga é óptico optometrista e presidente do Conselho Brasileiro de Óptica e Optometria (CBOO). |
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Restam duas semanas para a abertura do 2º Congresso Internacional de Estudos Técnicos e Científicos em Optometria (CIETCO) e não posso negar minha ansiedade. Primeiro pelos compromissos assumidos, pois realizar um evento desse não é nada fácil, uma vez que os fornecedores de produtos ópticos demonstram grande resistência para patrocinar eventos de optometria. Segundo, pela expectativa da participação efetiva dos profissionais do ramo óptico que ainda não enxergaram as vantagens desses encontros, considerando-os gastos desnecessários. Junte-se a isso problemas corriqueiros de uma grande entidade como questões administrativas e gerenciais, reuniões, prisões de colegas ópticos, apreensões de ceratômetros, caixas de provas e outros.
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Embora a maioria não atente, como presidente do Conselho Brasileiro de Óptica e Optometria (CBOO) não posso deixar de observar que o segmento óptico, comparado a outros setores da economia, encontra-se em grande desvantagem. Segundo declarações do presidente da Associação Brasileira de Produtos e Equipamentos Ópticos (Abiótica), Synésio Batista da Costa, os planos do setor estão indo por água abaixo devido à redução das vendas nos últimos anos.
Salvo poucas exceções, a maioria do varejo óptico atrasa seus compromissos. Muitos nem têm sequer recursos para honrar contas como luz, água, telefone e aluguel, o que dizer de duplicatas ou mesmo atualizar equipamentos e instalações. Mas a indústria automobilística, que vende produtos muito mais caros que os nossos, bate recordes de produção. A informática não pára de crescer e a telefonia celular entope de clientes as lojas do ramo em todo o Brasil.
Atuamos na área de saúde, outro setor que cresce graças às suas potencialidades, ajudamos a resgatar a visão das pessoas, fundamental para todos, mas estamos na lanterna. Acredito que nossa atividade profissional não ocupa seu merecido lugar única e exclusivamente por nossa incompetência. Não tenho dúvidas que nossa estupidez é que não nos deixa ver. Não estamos unidos em um objetivo. Parece que os ópticos brasileiros adotaram o lema "farinha pouca, meu pirão primeiro". Somos profissionais da visão, temos responsabilidades com nós mesmos, com nossa atividade e principalmente com nosso país.
O sistema que impera consegue atender apenas a faixa mais abonada da população - 10% por cento, aproximadamente -, deixando cerca de 86 milhões de brasileiros sem correção visual. Para agravar, esses que conseguem ter sua função visual avaliada e compensada são direcionados às cirurgias refrativas com a promessa de abandonar o uso de óculos e lentes de contato, excelentes e seguras alternativas de correção visual.
O triste é ver que muitos que atuam em nosso ramo tudo fazem para assim continuar, promovendo a desorganização, a desunião e a divisão. É preciso compreender que somente através da coesão conseguiremos resolver os problemas da óptica oftálmica nacional. Considero a falta de consenso e o empenho os maiores problemas de nossa atividade. O CBOO e o Conselho Regional de Óptica e Optometria do Rio Grande do Norte (CROO-RN) receberão com carinho e respeito todos os congressistas que assistirão a inesquecíveis palestras, mas somente considerarei o congresso um grande sucesso se conseguir fincar no coração de cada participante a bandeira da união.
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