Para a maioria das ópticas do país, não compensa ter laboratório de surfaçagem. A não ser que o movimento seja muito grande. Além disso, os equipamentos têm um custo elevado, necessitam de manutenção e renovação constantes. Não porque quebram ou têm problemas técnicos, mas porque há tanta tecnologia sendo desenvolvida atualmente, que eles ficam ultrapassados com muita rapidez. E tal atualização acaba saindo muito cara, o investimento é alto, já que muitos equipamentos são importados, ainda mais hoje em dia, com o valor do dólar lá nas nuvens. Além disso, os técnicos e os profissionais especializados para operar essas máquinas também necessitam de remuneração adequada.
Já a montagem é importante principalmente para as grandes ópticas e as redes. Um laboratório de montagem possibilita o trabalho com lentes acabadas e a entrega dos óculos em uma hora. Os equipamentos também são caros, mas vale a pena, já que significa um diferencial de serviços.
A manha da coisa - Um estoque de lentes oftálmicas deve funcionar basicamente na proporção de quatro para um, isto é, dispor sempre de quatro vezes mais pares de visão simples do que de outros tipos. E saber dosar conforme a necessidade de cada loja a quantidade de policarbonato, CR-39 e modelos com tratamentos específicos.
A diversidade de ofertas é grande. Há duas estratégias diferentes que podem ser adotadas pelas ópticas. Uma é quando o lojista escolhe trabalhar com um único fornecedor. Nesse caso, necessitará de menos espaço para armazenar os produtos, já que terá de administrar apenas os tipos de lentes (e não as marcas) e dispor de menos capital de giro. Quem conta somente com serviço de montagem nas lojas, adquire lentes acabadas, com e sem tratamento anti-reflexo. Mas o estoque deve ser o menor possível, destinado a atender os casos mais básicos. Quem trabalha com surfaçagem própria, precisa administrar também os blocos de cada tipo de lente.
Já os que preferem oferecer opções de escolha ao consumidor, operando com mais de um fornecedor, precisam de espaço e organização maiores, já que é necessário dispor de todos (ou quase todos) os tipos de lentes dos fabricantes selecionados.
Em ambos os casos, a famosa parceria com os fornecedores é o ponto fundamental para uma boa administração dos estoques. As tão conhecidas vantagens de negociações e reposição de produtos são pontos que contam a favor de qualquer óptica.
A parceria sólida pode ser o caminho também para a terceirização dos serviços de laboratório caminhar bem. Mais que atingir objetivos e cumprir prazos, uma relação bem-sucedida entre óptica e laboratório cria um nível de cumplicidade, em que cada um pode se focar em sua especialidade: a do laboratório, que é preparar as lentes de forma competente e em prazos adequados (um serviço de motoboy agiliza o processo e pode entregar até serviços mais complexos em poucas horas, se for o caso) e a da óptica, que é trabalhar bem suas vendas e preocupar-se constantemente com a satisfação do cliente.
Logística, essa desconhecida - O maior investimento das ópticas não deve ser em estoques, mas em atendimento e logística. Sim, em logística mesmo, essa palavrinha meio atemorizante que significa algo como o conjunto de estratégias que cada um adota para que cada área da empresa seja o mais eficiente possível. Enfim, um conjunto azeitado de engrenagens, funcionando perfeitamente.
Partindo do princípio de que o número de consumidores não aumentará absurdamente da noite para o dia, o caminho é priorizar a qualidade da venda, conquistando e apresentando diferenciais e novidades para fidelizar os clientes já existentes. Boa parte desses diferenciais é saber oferecer produtos de maior valor agregado como lentes dotadas de tratamentos anti-reflexo e anti-risco, com propriedades fotossensíveis ou produtos com garantia diferenciada.
Autocontrole - O próximo passo, agora que já está mais claro como lidar com cada tipo de produtos da óptica, é desenvolver uma forma bem simples e eficaz de controlar tintim por tintim. Existem várias formas de manter-se afinado com quanto se tem em estoque, mas hoje em dia não dá para fugir dos computadores, mesmo porque tais máquinas armazenam dados e diminuem consideravelmente a possibilidade de erros no cadastramento dos produtos. Pode-se, e deve-se até, combinar os programas de informática com técnicas mais manuais, mais visuais.
O ponto de partida reside na escolha de um software, isto é, um programa, para registrar e acompanhar o movimento das mercadorias. O computador ajuda a cadastrar produtos, armazenar dados e atualizar planilhas. Se as máquinas da(s) loja(s) estiverem interligadas em rede, os dados são atualizados simultaneamente ao momento da compra. Assim, fica mais fácil organizar as reposições com os fornecedores e analisar o giro médio de cada produto, acompanhando a evolução de tudo diariamente. Ou até mesmo a cada dez minutos, se o lojista for um maníaco por controle de estoque e informatização.
Como visualizar tudo isso? - Mas fica difícil, especialmente no começo, visualizar esse monte de dados, como "qual o modelo que não saiu?", "qual a cor, a marca ou quantas peças ainda existem?", olhando apenas para a tela do computador. Mas e na hora de observar os expositores na vitrine e as prateleiras da loja? Há de se convir que é um desafio e tanto perceber que, no meio de tudo que está exposto, há uma peça em específico que não está girando.
Para ajudar a visualizar a situação dos produtos, uma dica é usar pequenas etiquetas nos produtos, de cores ou formatos diferentes para cada mês de compras. O ideal é que os estoques girem em três meses, então, por exemplo, as peças que foram compradas em janeiro recebem identificações cor-de-rosa ou etiquetas em forma de círculo.
O que foi comprado em fevereiro ganha cor azul ou formato de triângulo. Quando chegar abril ou maio, os artigos que sobrarem na loja com essas identificações são os que não venderam como o esperado. Assim, fica mais fácil tomar decisões em relação a esses produtos parados, se é hora de promovê-los ou de retirá-los da loja.
 Cumplicidade: sólidas parcerias com laboratórios de surfaçagem garantem qualidade nos serviços e no atendimento, além de rapidez na entrega
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 Informatização: o computador facilita o cadastramento dos produtos e o controle das quantidades de cada peça no estoque
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Recurso para o controle de estoques
A utilização de leitores ópticos nas lojas é uma solução para administrar estoques. Pensando nisso, a Essilor, implantou em setembro o sistema de códigos de barras em todas as suas lentes. E mais: suas notas fiscais passaram a dispor do código bidimensional, tecnologia que contém todos os dados do pedido, que pode ser identificado e armazenado pelas maquininhas de leitura óptica.
Para implementar tal tecnologia, além, obviamente, do sistema de leitura óptica, é preciso baixar da internet os arquivos com os códigos de cada produto no site da empresa (
www.essilor.com.br).
O uso do sistema elimina os erros de digitação que eventualmente ocorrem no momento de cadastrar os novos produtos, sem falar na economia de tempo e dinheiro, já que não é preciso deslocar funcionários para conferir as lentes. A única etapa manual fica por conta da contagem das peças, pois quando os códigos são lidos pelo computador, já aparecem automaticamente o modelo, a dioptria e a quantidade de cada lente.