Foto: André Penteado
 Carlos Alberto Júlio é executivo e professor |
Se eu consigo lembrar com exatidão, é porque não faz tanto tempo assim. Há uns dez ou 15 anos, tudo parecia bem mais fácil. Soa como utopia, mas é realidade. Acreditem! A minha memória traz à tona a imagem de meu pai, para quem o bom funcionário era aquele que não faltava ao trabalho e sempre chegava no horário. Parece incrível, mas bastava ter esses pequenos cuidados que o tempo de casa lhe garantiria o sucesso e a empregabilidade.
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As carreiras, por exemplo, eram muito fáceis de serem escolhidas pelos jovens candidatos ao sucesso: medicina, engenharia ou advocacia. Isso mesmo, se a família pudesse prover uma boa faculdade em qualquer uma dessas formações, o jovem ou a jovem se transformaria em doutor e o sucesso estava praticamente garantido. E as famílias que, em sua maioria, não podiam arcar com os custos do ensino de terceiro grau, estimulavam os seus filhos a prestar um dos muitos concursos públicos ou, então, o que parecia ser o melhor deles. Naquela época, o do Banco do Brasil.
Já nas empresas, as carreiras eram projetadas para se subir em escadinha (degrau por degrau), escalando o organograma, que, por ser vertical, indicava que tudo o que se tinha a fazer era subir, subir e subir. Geralmente, essa ascensão ocorria por tempo de casa ou, com maior freqüência, por processos políticos e não por mérito.
Ao que parece, era tudo muito certinho, meio programado. Para completar o panorama, as filhas, em sua maioria, deveriam aprender a cozinhar, costurar e cuidar de crianças. Afinal, um bom casamento era tudo o que lhes desejavam ainda que, raramente, alguém lhes perguntasse sobre o que de verdade queriam.
Para o bem ou para o mal, essas eram as regras - tão simples e nada justas - que pareciam ordenar as carreiras e a vida profissional das pessoas. Porém, e ninguém sabe informar com precisão a partir de quando, o mundo virou. E como virou!
A tal da globalização
A globalização dos mercados passou a exigir profissionais com cultura global, capacidade para se comunicar com desenvoltura em outros idiomas, além de entender diferentes economias e padrões de funcionamento das mais diversas corporações. Essas grandes empresas, denominadas globais, com suas estruturas superprofissionalizadas, se tornaram pontos de referência para um novo estilo de gestão e, portanto, de carreira. Por serem mais horizontais, acabaram por destruir o tradicional organograma que somente mostrava a relação de poder, não vislumbrava nem o cliente nem os processos.
É de se perguntar para que servia um organograma que não mostrava nada disso. A verdade é que, no universo corporativo em que o trabalho em equipe se sobrepõe, a liderança muda de papel. Troca-se o chefe de antigamente pelo líder do presente, aquele que está muito mais preocupado em formar novas lideranças que contratar seguidores. Liderança essa que se concretiza pela admiração do time, que trabalha para o time e não espera que a equipe o sirva.
“Troca-se o chefe de antigamente pelo líder do presente, aquele que está muito mais preocupado em formar novas lideranças que contratar seguidores.”
Como se esse novo mundo já não fosse diferente o bastante para que nos dessem um tempo para nos adaptarmos, eis que o maior fenômeno econômico e de negócios de todos os tempos nos atinge quase que simultaneamente: a internet. Mais que ferramentas tecnológicas, a rede cria todo um novo ambiente corporativo, profissional. Destaque-se que a velocidade e as novas formas de se fazer as coisas antigas são as responsáveis por causar impacto nas mudanças ocorridas nas empresas e, por conseqüência, no perfil do profissional deste milênio.
Ninguém ignora que, na chamada era do conhecimento, a regra é educar ou morrer. Educação no sentido mais estrito da palavra - a possibilidade de saber o suficiente para decidir, continuar assimilando as novas tecnologias, comportamentos e, sobretudo, monitorar mercados e oportunidades - parece ser um dos elementos chaves da empregabilidade. Mais que isso: busca-se o profissional generalista como perfil. Entendido aqui não como aquele profissional que sabe um pouco de tudo mas, verdadeiramente, aquele que sabe muito de várias áreas do conhecimento.
Ainda que se possa sentir desconfortável com tamanhas exigências, é por esse caminho que se encontra a tal da empregabilidade. Profissionais mais informados, mais informatizados, mais educados, mais tecnológicos, mais cultos e refinados. Obviamente, não há que se descartar um Master Business Administration (MBA), idiomas e vivência internacional. Verdadeiros super-homens, verdadeiras supermulheres…
Confortável ou não com essa idéia, não há como recuar, mas adaptar-se. Afinal, Darwin e seus conceitos jamais foram tão presentes e tão provados: o mundo é dos adaptáveis!
E você faz a diferença quando, mais que entender as mudanças, for atrás delas com um sentido de oportunidade. Essas estão, sim, nas empresas da chamada nova economia, mas também nas demais que estão se modernizando e crescendo nos negócios globalizados. Há muito que fazer na indústria do lazer, do turismo e da diversão. Por outro lado, não podemos ignorar as imensas oportunidades que já se apresentam no terceiro setor, organizações não governamentais (ONGs) e na indústria de serviços em geral. Mudar, mais que preciso, é fundamental para se obter sucesso e garantir a empregabilidade nos próximos anos.
Como "segurar" a minha vaga?
Dentro do cenário da mudança - que resumidamente poderíamos relacionar como prioridade total ao cliente, novos produtos, serviços e mercados, novos patamares de competitividade, avanços tecnológicos, redes globais, alta velocidade estratégica, cidadania global e longevidade - espera-se que para manter a sua competitividade individual e a chamada empregabilidade, será necessário desenvolver as seguintes competências:
1. Focar a atenção no conhecimento essencial da área escolhida sem negligenciar a necessidade de absorver e entender as demais áreas da empresa e o meio ambiente
de negócios em geral.
2. Desenvolver sua capacidade de comunicação global.
3. Trabalhar com visão estratégica.
4. Manter-se atualizado tecnologicamente.
5. Ter consciência de cidadania global.
6. Desenvolver relacionamentos.
7. Ter equilíbrio e coerência.
8. Mostrar-se, sempre, com postura empreendedora.
9. Ter interesse e comprometimento com a empresa e com o time.
10. Flexibilidade e adaptabilidade: eis a chave do sucesso.