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Dicas do óptico mais famoso do país


Miguel Giannini é um dos ópticos mais
famosos do país     

Balcão ou self-service?

Lamentavelmente, o atendimento qualificado ao público não tem sido um ponto forte do comércio brasileiro nos últimos tempos. Seja nas ópticas, nas lojas de roupas ou calçados, nos supermercados etc., de maneira geral, o consumidor é recebido por pessoas desatentas e mal-humoradas. Eis aí a grande contradição: o cliente é a razão da existência de um negócio. Por que, então, tratá-lo dessa forma?

Absolutamente destreinados, muitos atendentes desconhecem as regras mínimas de educação e disciplina. Com isso, destroem em segundos a imagem de um estabelecimento cujo o proprietário e sua equipe investiram muito tempo e suor na sua projeção de seu nome. É como se vender fosse um martírio e não um trabalho para o qual é necessário talento como qualquer outro.
O comércio sofre do estigma agudo do mau atendimento. Pessoas que tiveram pouco contato com o público – e, às vezes, nenhum tipo de treinamento - aventuram-se a desempenhar de forma indevida uma função que requer muita dedicação.
É preciso resgatar com urgência o bom balconista, isto é, o profissional de balcão.


Dilema: a profissionalização do atendimento no balcão da óptica ou a adoção do sistema self-service com reais vantagens?
Especialmente na óptica. Muitos nem imaginam a tradição de atendimento de qualidade que o setor construiu e manteve por muitos anos: há duas décadas, o consumidor era o único elemento importante – e deveria ser até hoje!
Cada profissional conhecia seu cliente. Vidas profissional e pessoal se misturavam sobre o balcão. No entanto, o crescimento das cidades e a conseqüente transformação da economia aniquilaram a relação entre vendedor e cliente. A falta de emprego e a rotatividade às quais o trabalhador é submetido hoje em dia pouco oferecem margem à delicadeza e à dedicação. O negócio é faturar. A venda em massa de produtos para uma massa de pessoas não deixou lugar para pequenas delicadezas. E talvez os empresários não tenham se dado conta disso, já que os lucros atropelam a falta de orientação.
Tenho certeza de que os consumidores se ressentem da ausência de profissionais especializados que gostam do que fazem e os orientem em suas escolhas. O varejo de óptica está diante de uma estrada que se divide em duas: ou resgata rapidamente o atendimento tradicional e personalizado ou assume a substituição do profissional de balcão pelo sistema self-service com vantagens. Tudo é uma questão de escolha.


Miguel Gianini
colunadomiguel@yahoo.com.br


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