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A mensagem do óptico e físico João Dantas

Basta de cegueira

Ao levar em conta que o Brasil tem pouco mais de 500 anos de existência - ainda é um adolescente perto de outras nações - e que a óptica brasileira existe também desde 22 de abril de 1500, data de descobrimento do país com a chegada de Pedro Álvares Cabral e sua "galera", infelizmente se constata que os conceitos que permeiam o setor evoluíram muito pouco nesses cinco séculos.


João Dantas é óptico e físico
terceiravisaoview@yahoo.com.br

Estabelecendo mais uma analogia com a relação de Cabral e seus patrícios com a terra de Vera Cruz (um dos primeiros nomes com os quais o Brasil foi batizado), da mesma forma que riquezas minerais, fauna, flora e cultura indígena foram praticamente dizimadas, nos últimos tempos tem se feito algo muito semelhante com o mercado óptico nacional.
De maneira geral, as propagandas do varejo de óptica não trabalham conceitos favoráveis ao uso de óculos. A abordagem é sempre em cima de preço, prazo e brindes, indo ao encontro da percepção que o consumidor brasileiro infelizmente mantém em relação aos óculos, encarando-os como algo não desejado, que têm de custar pouco e apenas dar um jeito na visão. Enfim, a famosa prótese corretiva. Daí, é muito fácil que ele considere alto qualquer valor cobrado, pois óculos, para os brasileiros, ainda não figuram em suas listas de desejos de consumo.

"Em geral, as propagandas do varejo de óptica não trabalham conceitos favoráveis ao uso de óculos. A abordagem é sempre em cima de preço, prazo e brindes, indo ao encontro da percepção que o consumidor brasileiro infelizmente mantém em relação aos óculos, encarando-os como algo não desejado."


É preciso mudar tal panorama, unir e forças e idéias a fim de que óculos sejam produtos que despertem o interesse de mais e mais consumidores finais. Está na hora de levantar questões mercadológicas em plenário reunindo representantes de todo o mercado óptico. Grandes, médias, pequenas e microempresas de todos os segmentos: varejo, importação, distribuição, laboratórios etc.
A feira Óptica, em São Paulo, é a oportunidade ideal para uma discussão do gênero, já que os pavilhões do Expo Center Norte recebem representantes de empresas do setor óptico de todos os portes. Mas é bom lembrar que um número muito maior de empresários e profissionais, principalmente aqueles de menor porte (que tomam conta pessoalmente de seus negócios) virá a São Paulo se o evento envolver o final de semana, tal qual todas as feiras internacionais do setor.
Outro ponto a ser discutido à exaustão é a criação de uma contribuição (espontânea) de 2% sobre as compras. Tal percentual deveria ser destinado à prospecção de mercado, administrado por uma comissão representativa de todo o segmento óptico, sob a supervisão da Associação Brasileira de Produtos e Equipamentos Ópticos (Abiótica). Com essa verba, será possível desenvolver ações que beneficiem todos os segmentos do mercado, contando com a contribuição e o comprometimento de todos.
Falar, apenas, não resolve. É preciso agir. Afinal, se não enxegarmos, o que estamos fazendo no ramo da visão?


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