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Você também é griffe


Andrea Tavares é editora da View
Gosto de conhecer lojas que adotam conceitos diferenciados de atuação. Especialmente quando desembarcam no Brasil filiais de redes internacionais e com novas propostas. Adoro observar como se comportará uma loja originalmente "gringa" em solo "tupiniquim" e com vendedores "tupiniquins". Daí o interesse quando uma célebre loja britânica de cosméticos, anunciou a abertura da primeira filial em São Paulo, há uns três anos. A curiosidade era enorme, pois já tinha lido muito sobre os hidratantes comestíveis, os xampus em barra etc.
Até que um dia fui lá. Para minha surpresa, fui solenemente ignorada. Tão perto de desvendar os segredos daquele mundo que ansiava tanto conhecer e... ignorada! Resolvi bater em retirada. Mas que frustração!
Semanas depois, percebi que não era nada pessoal: coincidentemente minha prima contou que tinha passado pela mesma situação. Ou melhor, foi salva pelo gongo, pois imediatamente atrás dela, o jornalista Boris Casoy adentrou os domínios da tal loja e foi atendido como um rei. Ela resolveu então acompanhar Casoy e a vendedora. Afinal, a loja é tão diferente que a primeira vez de cada consumidor naquele ambiente é digna de visita guiada, tal qual os grandes museus.

Até que um dia fui lá. Para minha surpresa, fui solenemente ignorada. Tão perto de desvendar os segredos daquele mundo que ansiava tanto conhecer e... ignorada! Resolvi bater em retirada. Mas que frustração!

"Griffes têm um enorme poder, mas viram nada na mão de quem não sabe trabalhar seus conceitos, características e benefícios."

Dois anos depois, fui a um shopping que não tenho hábito de freqüentar e dei de cara com outra filial da tal loja. Resolvi tentar de novo. E não apenas uma, mas duas vendedoras se aproximaram imediatamente e uma delas convidou-me para a tal "visita guiada".
Não esperei até o final para abrir meu coração. Confessei a minha experiência anterior à vendedora (Andrea como eu), que revelou não ser aquela a primeira vez que ouvia queixas. Resolvi levar duas barrinhas de sabonete e percebi que ela não insistiu para que eu levasse mais artigos. O que não captei na hora é que aquilo era uma estratégia para me reconquistar aos poucos, mas para sempre. Para ela, não havia pressa porque acreditava na sua capacidade e no nome que aquela loja empunha ao redor do mundo.
Andrea me acompanhou até o final da compra e disse que ligaria para saber minha opinião. Dias depois, dito e feito: o telefone toca e era ela cumprindo sua promessa. Agradeci-lhe a atenção, falamos sobre os produtos - curti muito! - e ela falou: "fico feliz que tenha gostado. A partir de agora, você é nossa cliente. Ou melhor, minha cliente."
Esse é o poder do atendimento personalizado. Ela não conseguiu apenas reverter a imagem negativa que eu tinha da loja como também fez de mim uma cliente fiel. Em óptica, as coisas funcionam da mesma forma. Atendimento de qualidade também é griffe e vale muito. Sei do enorme poder que uma griffe tem, mas ela não é nada se não for bem trabalhada por quem a vende, da mesma forma que na tal loja de cosméticos. Demonstrar real interesse pelo cliente, fazer de cada atendimento um momento único e absurdamente personalizado é algo que encanta até o consumidor mais durão. Um grande ponto a favor é entender o jeitinho de cada cliente.
Da mesma forma que um produto de griffe, quando você se torna uma griffe, terá um status muito superior a um produto ou alguém com pouca ou nenhuma qualificação. Você será um profissional de balcão muito bem-sucedido, respeitado e disputado pelos clientes.





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