Os ataques terroristas contra as torres do World Trade Center (WTC) em Nova Iorque, e o Pentágono em Washington, em 11 de setembro, ficarão para sempre gravados nas mentes de todos os habitantes do planeta que têm acesso a algum meio de comunicação. Como se pôde acompanhar nos desdobramentos da tragédia, foram enormes os esforços para auxiliar pessoas feridas, famílias de desaparecidos e equipes de resgate.
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Esta era a visão que se tinha do 14º andar da sede da Jobson Publishing, situado na região de Nova Iorque conhecida como Lower Manhattan. A foto foi tirada pelo managing editor Seth Bookey |
A comunidade óptica norte-americana não ficou de fora desta batalha. Pelo que se teve notícia, não houve perdas diretas de membros do setor. No entanto, muitos foram privados de familiares e amigos nos atentados.
Todos os funcionários das empresas do setor óptico com escritórios ou pontos de venda no WTC saíram ilesos. Situadas ao pé das torres, lojas da LensCrafters, Sunglass Hut e Watch Station, todas pertencentes à divisão de varejo da Luxottica, estavam abertas no momento do ataque. Felizmente, a perda foi apenas material. A sede da American of Bright Signs Optic Video, que comercializa o sistema eletrônico de adaptação de armações, o Smart Mirror, ficava no 33º andar em uma das torres. Todos saíram sãos e salvos.
Efeitos instantâneos
Na área vizinha à tragédia, lojistas, profissionais e fornecedores corriam para oferecer seus préstimos às vítimas e às equipes de resgate. O pó e fumaça gerados pelo mar de escombros, sinal da devastação do WTC, causaram vários problemas oculares, como irritações e abrasões na córnea.
Em uma clínica próxima do WTC, apurou-se que 50% dos atendimentos foram de problemas de ordem ocular.
Mais que o auxílio às vítimas e às suas famílias, as equipes de resgate que trabalhavam no WTC precisaram de equipamento adequado para trabalhar entre os escombros, principalmente óculos de proteção (os chamados goggles), já que irritações e lesões oculares foram uma constante. Mais que rapidamente, a Sàfilo, conhecida pelas marcas Carrera e Smith, voltadas fundamentalmente para a prática de esportes radicais, doou cerca de 2,5 mil peças para o trabalho de resgate, o corpo de bombeiros e o FBI, sem falar em 2,6 mil camisetas destinadas anteriormente para campanhas promocionais.
Empresas como Bausch & Lomb, Ciba e Allergan prestaram um importante serviço ao enviar milhares de unidades de soluções para assepsia dos olhos. Muitas companhias realizaram campanhas de doação de sangue com seus funcionários. Além
das soluções, a Ciba contribuiu com US$ 3 milhões para a Cruz Vermelha. O Jacob Javits Center, local da tradicional feira óptica de Nova Iorque, a Vision Expo East, tornou-se quartel
general para recebimento de doações.
E as implicações financeiras da tragédia continuaram a se espalhar: o fechamento dos vôos domésticos e internacionais refletiu na entrega de produtos em todo o país. O varejo, obviamente, sentiu uma queda considerável em suas vendas nas duas semanas seguintes aos ataques. Além do efeito moral, os consumidores preferiram ficar em suas casas, colados à tevê. Muitas redes, incluindo a Pearle Vision, uma das maiores do mundo, e ópticas independentes fecharam suas portas em todo o país na tarde dos ataques e também no dia seguinte. Lojas como Myoptics e Oliver People’s estenderam bandeiras norte-americanas nas vitrines em manifestação de patriotismo.
Imediatamente após os ataques, a Marchon cancelou a recém-lançada campanha publicitária do Flexon, que por uma infeliz ironia do destino, mostrava um avião voando sobre o Empire State, um dos mais famosos prédios da cidade, celebrizado nas telas de cinema pela história de King Kong.
O pós-atentado
Dias depois, o Vision Council of America (VCA), a mais importante entidade do setor óptico dos Estados Unidos, anunciou a criação de um fundo para as vítimas dos ataques terroristas com contribuições do setor óptico. Meta: arrecadar US$ 1 milhão.
Durante um encontro com acionistas em 20 de setembro, o presidente da Luxottica, Leonardo Del Vecchio, declarou que os lucros líquidos da companhia em 2001 devem sofrer uma pequena redução por causa da tragédia do fatídico dia 11.
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Enquanto membros de equipes de resgate trabalhavam para remover os escombros, funcionários de ópticas como a Eye to Eye Vision Center tiveram de cuidar da remoção de toda a sujeira deixada pela devastação das torres |
De um total de 1,5 mil lojas nos Estados Unidos, apenas 50 ficavam em aeroportos, que, obviamente, sentiram a desaceleração do consumo, mas representam uma parte muito pequena no universo total do varejo comandado pela Luxottica.
A Johnson & Johnson, que opera no mercado óptico com a J&J Vision Care e a Vistakon, foi a patrocinadora exclusiva de uma edição especial da revista Newsweek, intitulada The spirit of America - o espírito da América, em português -, que circulou em 27 de setembro e relatou a história dos ataques do dia 11 e suas conseqüências, com tiragem de dois milhões de cópias. Os espaços publicitários foram doados à veiculação de anúncios de entidades que trabalhavam no auxílio às vítimas.
Além das contribuições ao VCA, várias empresas se envolveram no trabalho assistencial com doações. A Johnson & Johnson doou US$ 10 milhões em dinheiro e produtos de primeiros socorros; a Essilor lançou uma campanha que envolveu os empregados das unidades norte-americana e canadense a fim de reunir fundos para a Cruz Vermelha; a Luxottica doou US$ 100 mil para o fundo de emergência, além de mil pares de óculos de segurança para os membros das equipes de resgate. Além disso, forneceu gratuitamente óculos, lentes de contato e exames de vista (se necessários) para as equipes de resgate; a Corning doou US$ 200 mil para a Cruz Vermelha, além de recolher doações de seus funcionários; a Breitfeld & Schliekert solidarizou-se com a doação de 5% de suas vendas para a Cruz Vermelha feitas pelo
www.sight-tools.com entre 24 de setembro e 31 de outubro.
Feira cancelada
O baque com o atentado e a irregularidade do tráfego aéreo nos Estados Unidos levou ao cancelamento da Vision Expo West, feira de óptica com início marcado para 20 de setembro, em Las Vegas. O anúncio saiu dois dias depois da tragédia. A visão da maioria dos profissionais é que os organizadores não tiveram escolha ao cancelar o evento, seja por motivos humanitários ou operacionais. Com isso, a próxima feira óptica a ser realizada em território norte-americano será a Vision Expo East, de 15 a 17 de março, na mesma Nova Iorque abalada pelos ataques terroristas de 11 de setembro. |

A Myoptics, situada no Soho, estendeu uma bandeira dos Estados Unidos na vitrine. Coincidentemente, esta mesma fachada marcou a estréia da seção Retrato de uma idéia na View 30 |
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