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Dança das cadeiras

Séculos, décadas, anos passam e mostram o quanto a renovação é importante para a história da humanidade. Tanto o mais ousado projeto de governo, quanto uma simples atitude na vida de uma pessoa trazem novos ares ao mundo, principalmente quando dedicação e seriedade permeiam tais decisões.

E, quando se fala do universo associativo dos sindicatos e associações de classe, bem como das ONGs (organizações não-governamentais) e das entidades ligadas às áreas social e cultural, renovação tem de ser palavra de ordem.
Em outros termos, usando-se uma expressão bem humorada, é preciso haver a dança das cadeiras, isto é, um rodízio saudável no comando das entidades. É importante que o grupo envolvido, que se sacrifica e se dedica à entidade, promova um rodízio e abra espaço para que novas lideranças surjam e assumam o poder. Sem falar na possibilidade de contar com um executivo para "carregar o piano". Tal decisão, em geral, traz mais credibilidade ao órgão, já que, em princípio, um profissional à frente do dia-a-dia age com mais isenção e muitas vezes tem formação e experiência próprias para tal.
Entidades que se tornam verdadeiros feudos, isto é, anos e anos com um mesmo "dono", envelhecem e apodrecem. Órgãos sadios incluem em seus estatutos a possibilidade de apenas uma reeleição. Tal qual no Brasil e em muitos outros países, o presidente que desempenhou bem seu mandato, somente poderá ser reeleito uma vez. Depois disso, é obrigado a dar espaço a novas lideranças.
Perpetuar-se no poder não condiz com os dias de hoje, especialmente quando se têm interesses e projetos pessoais em jogo, sem falar na paixão pelo poder e no status que a posição confere, enquanto a classe em si nada tem a ver com as realizações pessoais desses líderes.
As entidades têm de ser vivas e gerar empolgação em seus membros, a fim de que novas idéias sejam criadas e aplicadas para o bem de todos, devem participar das instituições aos quais são filiados, mas também é preciso mudar estatutos para garantir a mobilidade das lideranças. Enfim, que soprem novos ventos em todos os cantos, jogando novas sementes e trazendo belos frutos no futuro! Viva 2002!

Flavio Mendes Bitelman
Publisher
bitelman@amcham.com.br



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