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Lições de um Mestre


Andrea Tavares é editora da View
Sempre gostei de moda e, ainda mais, do fato de ela ser um poderoso de expressão. Mesmo silenciosamente, me encanta ver o quanto a moda reflete a evolução do mundo e se torna um reflexo das so-ciedades. Como jornalista e amante de biografias, além de observadora e curiosa por natureza, sempre me interessou saber o que passava pelas cabeças daquelas pessoas que criavam roupas, hábitos e modas que “contaminam” o mundo.
No início da década de 90, a chegada da tevê a cabo ao país e a valorização da moda me deram a oportunidade de entender melhor quem eram aquelas pessoas, quais eram suas inspirações e histórias. Até que, em 1996, entrei no mercado óptico e observei o mundo da moda de um novo ângulo: como os designers ex-pressavam-se e transmitiam os conceitos de suas marcas em peças de linhas tão diminutas como os óculos.
Até que em uma tarde de janeiro fui brindada com uma oportunidade simples mas maravilhosa. Vi no Universo Online uma chamada sobre a aposentadoria do estilista francês Yves Saint Laurent, inclu-indo seu discurso de despedida.
Cliquei imediatamente sobre o link e após ler o texto, valeu a pena a expectativa. Mais que sa-ber o que se passava pela ca-beça de Yves Saint Laurent, louvei a dedicação, a simplicidade e a consciência que demonstrou. Divido com vocês alguns trechos (estão entre aspas e dentro de parênteses em letras italizadas) que considero dicas valiosas para quem deseja vencer em seu trabalho, mesmo que esse trabalho nada tenha a ver com moda, pois são princípios básicos para conduzir a vida.

“Um mestre que assinou seu nome na história da humanidade mostra o quanto é fundamental amar o que se faz. E mais: colocar-se a serviço de seu público.”


São lições de quem ama o que faz e devotam dedi-cação extrema a seu público (“...vivi para o meu traba-lho e em nome de meu trabalho.”). Mesmo muito famo-so, com razões para “deitar sobre berço esplêndido” e viver apenas da fama, Yves Saint Laurent, que assinou seu nome na história da humanidade, mostra o quanto é fundamental amar o que se faz. E mais: colocar-se a serviço de seu público, as mulheres, tanto de forma di-reta quanto indireta.
Yves Saint Laurent sabe muito bem que suas cria-ções originais vestiram um universo mínimo, mas os conceitos por ele lançados foram absorvidos por mi-lhões de mulheres, muitas sem nem saber da existência de um estilista francês que fazia moda como ninguém e tinha sido o primeiro a desenhar roupas com linhas semelhantes àquelas que usavam. (“Como Chanel, sempre aceitei a cópia e me orgulho muito que as mu-lheres de todo o mundo vistam tailleurs-pantalons, smokings, cabans e trench-coats”).
Também me chamou atenção a consciência do seu papel no mundo, de alguém que tinha a responsabilidade de fazer as mulheres mais confiantes e seguras, especialmente em um século em que a mulher teve a sua liberdade coroada, pelo menos no mundo ocidental: (“...participei da transformação de minha época. Eu o fiz com roupas, o que é certamente menos importante do que a música, a arquitetura, a pintura e várias outras artes, mas, seja como for, eu o fiz. Desde há muito tempo, eu acreditei que a moda não era apenas para embelezar as mulheres, mas também para lhes dar confiança, certeza e permitir que se assumissem. Sempre fui contra os fantasmas de alguns que satisfazem seu ego através da moda. Ao contrário, eu quis me colocar a serviço das mulheres. Quer di-zer, servi-las. Servir seus corpos, seus gestos, suas atitudes, sua vida.”)
Nada mais tenho a dizer diante das lições de um mestre. Espero que lhes sejam tão úteis quanto foram para mim. Até a próxima!

umoutroolhar@yahoo.com.br



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