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A mensagem do óptico e físico João Dantas

Ajudas visuais

Após falar de altas ametropias na View 38, dedico-me agora aos portadores de ambliopia e degenera-ções de mácula e suas respectivas correções parciais. Usando o dicionário Aurélio como fonte, o subs-tantivo “ambliopia” tem origem grega e define a “imprecisão de visão sem lesão orgânica perceptível do olho”. Felizmente, o rápido avanço da tecnologia ampliou consideravelmente as oportunidades de correção dos ca-sos de ambliopia. A primeira possibilidade são as lentes asféricas, que proporcionam uma fusão de imagem em anisometropias superiores a 3.00D.


João Dantas é óptico e físico
É possível, além disso, ir fundo na criatividade e compensar a dicotomia de magnitude de imagem por meio da profundidade sagital, ou seja, a lente de menor dioptria deverá ficar mais espessa, com a mesma porcentagem de diferença dióptrica.
Nessas situações, a escolha de tamanho e modelo da armação é fundamental para o sucesso. Deve-se optar por armações com aros pequenos, talões alongados e distância vértice a menor possível, respeitando apenas a extensão dos cílios. A espessura do aro também deve “esconder” ao máximo a diferença de espessura das lentes. Portanto, nesse caso, não são reco-mendadas armações flutuantes ou três peças.
Os casos de degenerações macular têm soluções um pouco mais complexas. A mácula – novamente, segundo o Aurélio, a “pequena área amarelada situada em cada retina, e em que se dá o processo de ab-sorção de impressões luminosas de curto comprimento de onda” - é responsável por aproximadamente 95% da visão e resume-se a uma área igual a uma circunferência de 3 milímetros. Portanto, a degeneração dessa área reduz – e muito - a visão para aproximadamente 5%.
Para compensar tamanha perda, os recursos dis-poníveis são os tele-sistemas ou tele-lupas ou ainda prismas horizontais com base nasal. Divididos em dois tipos (Galileu e Kepler), os tele-sistemas têm a função de ampliar a imagem - em média, duas vezes - de forma centrada, fazendo com que o foco, que seria concentrado na região da mácula, seja distribuído na peri-feria da mesma, possibilitando uma visão razoável em-bora limitada, por se tratar de um ângulo muito fechado.
No entanto, exigem treinamentos especiais do profissional e do usuário já que, em função da amplia-ção da imagem, amplia-se também, na mesma proporção, a aceleração dos movimentos, que poderão causar tonturas e cefaléias.
Por isso, seu uso é recomendável em ambientes fechados. O usuário, por sua vez, deve acostumar-se fazer os movimentos com a cabeça duas vezes mais lentos, a fim de evitar mal-estares.
A aparência das tele-lupas também não é das me-lhores, pois se assemelham a monóculos de relojoeiros ou binóculos quando feitas em par, mas, mesmo assim, o resultado da visão compensa com folga esses des-confortos estéticos e físicos.


Os tele-sistemas Galileu (à cima) e Kepler (à baixo) são os recursos mais usados para compensar a perda da visão causada pela degeneração macular.

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