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Profissionalismo em alta


Andrea Tavares é editora da View
Dia desses, encaixei uma sessão de cinema entre um intervalo entre dois compromissos, tempo suficiente para exercitar uma das minhas grandes paixões, a reverência à sétima arte. E, antes de o filme começar, mais uma vez constatei a força da propaganda. Assisti a um anúncio nem tão genial assim, mas que me chamou muita atenção por causa da mensagem que transmitiu: a importância de ser profissional.
Um garoto-propaganda que nem era tão garoto assim invadiu a tela anunciando que tal banco havia reduzido as taxas de juro de seus cartões de crédito e, de quebra, convidava os portadores de “dinheiro de plástico” de outros bancos a trocarem seus cartões por um daquele banco oferecendo também desconto na transferência do saldo.
Até aí tudo bem, mensagem transmitida. Até que o apelo emocional veio à tona para fechar o comercial. O tal garoto-propaganda lembrou que de que adianta ser amigo do gerente de seu banco se quem faz isso por você é o tal banco que nunca o viu mais gordo?
Isso deu um clique imediato na minha cabeça e me fez pensar sobre quantas vezes no dia-a-dia dos negócios as pessoas se deixam levar pela amizade, esquecendo que o profissionalismo existe? Quantas vezes uma pessoa não coloca em risco o sucesso de seus negócios em função da amizade?


“Há hora para amizade e hora para trabalho. A amizade não vai pagar as contas de um estoque repleto de peças ‘micadas’ e nem vai fazer as peças girarem mais dentro da loja.”


Antes de tudo, quero lhe dizer que, em momento algum, estou recomendando que você se desfaça agora de todos os seus amigos e mude tudo repentinamente. O caminho é outro. Apenas quero convidá-lo a pensar melhor no assunto. Até porque considero a amizade um dos maiores tesouros do mundo e, além disso, estaria contrariando a minha própria natureza, pois faço amigos com muita facilidade, porém, procuro ficar sempre alerta a essa questão.
Nesses cinco anos de mercado óptico, já ouvi várias histórias de ópticos que montam sua oferta de produtos movidos pela amizade com os representantes ou o dono da empresa em vez de priorizar fornecedores que lhes ofereçam parceria sólida, produtos que giram bem, rentabilidade e assistência técnica.
Há hora para amizade e hora para trabalho. Desculpe-me se estou sendo direta demais, mas a amizade não vai pagar as contas de um estoque repleto de peças “micadas”. A amizade não vai fazer as peças girarem mais dentro da loja. Às vezes, o representante daquela empresa pode ser um grande “chapa” seu, mas os produtos dele não casam com seus objetivos de trabalho ou, então, você nem tem tanta amizade com outro, que tem produtos de que você precisa e ainda oferecelhe condições interessantes. A mesma reflexão vale na relação com funcionários, clientes, sócios etc.
É preciso separar as coisas, até porque a relação de trabalho e/ou amizade rapidamente pode ir para o buraco quando acontece algum problema. Chega uma hora em que os canais estão tão misturados que qualquer estremecimento, por menor que seja, causa um terremoto tanto no pessoal quanto no profissional. O termo “separar” soa drástico, mas apenas aparentemente. É uma atitude muito saudável, você aprende a falar “não” e “sim” com mais facilidade e tranqüilidade. É preciso começar a exercitar esse processo de aprendizado contínuo. Vale o esforço. Afinal, já dizia a sabedoria popular: “amigos, amigos; negócios à parte”.

umoutroolhar@yahoo.com.br



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