“Hoje é dia de óculos, bebê!”
Andrea Tavares
Imagens Divulgação
Dentre as passagens memoráveis da versão 2011 do Rock in Rio, realizada durante os fins de semana de 23 de setembro a 2 de outubro, uma se celebrizou e de imediato tornou-se um bordão adotado por muita gente. A autora da façanha é a atriz global Cristiane Torloni em entrevista ao canal de tevê a cabo que transmitia a atração. Quando a apresentadora Luiza Micheletti perguntou sua opinião sobre o evento, a Tereza Cristina da novela global Fina Estampa, não pensou duas vezes e soltou a pérola: “hoje é dia de rock, bebê!”, visivelmente alterada.
Em questão de minutos, a frase se reproduzia vorazmente em redes sociais, sites e outros meios de comunicação. Com isso, cada um elegia o tema para seu dia e terminava com o vocativo “bebê”. Como a nossa praia são óculos e os óculos foram presença garantida no festival, a gente se apropria da frase de Cristiane e fazemos à nossa maneira para mostrar os melhores looks do Rock in Rio 2011: “hoje é dia de óculos, bebê!”.
Eventos como esse comprovam o amor dos músicos pelos óculos, seja para compor seus looks, para criar estilo, para esconder a timidez diante do público ou ainda para proteger-se das luzes. No Rock in Rio 2011, uma boa (e célebre) parte não abriu mão dos óculos, sem falar que esta edição do festival recebeu duas das mais icônicas figuras do universo musical quando o assunto são óculos: ninguém menos que o britânico Elton John e o norte-americano Stevie Wonder. Sem falar no vocalista do Paralamas do Sucesso, Herbert Vianna, banda que estourou no primeiro Rock in Rio, em 1985, exatamente com o hit Óculos – na época, o modelo redondinho de acetato colorido usado por Vianna também se tornou um hit de vendas e revolucionou os rostos dos jovens da época, tanto quanto a canção que entoava que “por trás dessa lente tem um cara legal”.

Elton John: tal qual na passagem de sua última turnê pelo Brasil em 2008, o cantor inglês e maior usuário de óculos de todos os tempos, dos mais loucos aos mais sérios, caprichou no modelo flutuante – três anos atrás era uma peça de lentes azuis, agora com lentes laranja, mas sempre com as suas iniciais cravadas com cristais em uma das lentes

Herbert Vianna: sim, ele, o autor do hit Óculos, que sacudiu a primeira edição do festival em 1985 e revolucionou o comportamento dos usuários de óculos na época por conta da armação redondinha e colorida de acetato. E, para a alegria do Planeta Óculos, Vianna fez jus à sua história com o acessório: usou modelos diferentes nos dois dias em que se apresentou, um deles era Oakley.

Sandra de Sá: essa também nunca decepciona quando o assunto são óculos. No festival, ao subir no palco para um show com Bebel Gilberto, optou por um modelo estilo máscara, mais light que os que usa no seu dia-a-dia, porém customizado com brilhos

O guitarrista do Sepultura, Andreas Kisser, elegeu o modelo Super Seed da Evoke em sua apresentação com Ed Motta

Ao apresentar-se com a banda The Fabulous Tab, o ator e músico Evandro Mesquita, líder da Blitz, fez o estilo econômico no tamanho dos óculos, mas optou por lentes que deixavam seus olhos praticamente à mostra

Bernardo Santos, o BNegão, membro do Planet Hemp, emoldurou seu rosto com Evoke para subir ao palco do festival

Óculos envolventes de estilo esportivo são companheiros inseparáveis do apresentador e vocalista do Ratos do Porão, João Gordo, e no Rock in Rio 2011 não foi diferente

O astro Stevie Wonder elegeu um solar discreto para dar o toque final à sua produção que incluiu uma túnica de inspiração afro

Um Ray-Ban Wayfarer bicolor emoldurou o rosto do músico Marcelo Jeneci

A exceção dos astros com óculos no Rock in Rio 2011 desta matéria fica por conta da cantora Laura Lavieri, dona da bela voz que acompanha Marcelo Jeneci em várias de suas canções. Laura cresceu no universo da óptica (é filha do músico e óptico Rodrigo Rodrigues, morto em 2005, e Carla Lavieri, dona da Den Optika) e tem fã clube na redação da VIEW

Os irmãos Simoninha e Max de Castro escolheram Evoke para sua apresentação no Rock in Rio. O primeiro de EVK e o segundo de Evoke Amplifier

Lil John, do Buraka Som Sistema, banda luso-angolana que combina o kuduro angolano ao electro inglês, veste uma estilosa armação de estilo Wayfarer, mas de aros mais robustos

O genial João Donato também marcou presença no festival em uma performance com a cantora Céu e escolheu um modelo estilo wayfarer marrom

Flavio Basso, mais conhecido como Júpiter Maçã, optou por um Ray-Ban Wayfarer preto com lentes claras

Zeca Baleiro subiu ao palco do Rock in Rio a bordo de um Ray-Ban de estilo flutuante bem comportado

Um Ray-Ban Wayfarer preto e branco cai como uma luva no visual contrastante de Arnaldo Antunes, que cantou com ninguém menos que Erasmo Carlos, o Tremendão

Presença garantida em três das quatro edições do festival no Brasil, o vocalista do Guns N’ Roses, Axl Rose, não abre mão dos óculos para garantir seu anonimato, algo que vem cultivando cada vez mais

Um Ray-Ban Wayfarer preto de lentes polarizadas vestiu o vocalista dos Detonautas, Tico Santa Cruz

O performático Tom Zé ficou com um modelo esportivo de linhas envolventes

Branco Mello, Titãs: estilo clássico nos seus solares de acetato

O guitarrista dos Titãs, Tony Bellotto, faz o estilo roqueiro clássico com um modelo pequeno de acetato preto e frontal estreito

Paulo Miklos dos Titãs capricha no estilo aviador com ares estilosos

Fofura in Rio: Essa cena não tem a ver com óculos, mas com boas energias. O vocalista da banda britânica Coldplay, Chris Martin, é responsável pelo top momento fofo do festival ao declarar seu amor ao Rio de Janeiro grafitando o palco
O Hall of Frames do Rock in Rio
Além dos músicos em ação no palco, a VIEW também saiu em busca dos vips de óculos no festival e traz em primeira mão um Hall of Frames exclusivo do evento.

O maquiador e fotógrafo Fernando Torquatto segue a tendência das armações de receituário de acetato escuras e maiores. Boa escolha

Aros ovais de metal em estilo super clássico são a feliz opção do diretor e ator Marcos Paulo

A atriz Juliana Alves realçou ainda mais sua beleza com a armação tartaruga no estilo vintage e, com esse sorriso, prova que quem usa óculos pode ser muito feliz

Além de ser um dos maiores craques da atualidade, Neymar também abala com seus looks e penteados, sem falar na armação de receituário azul, a que mais abalou na noite vip do Rock in Rio

O ex-presidente do Flamengo, Marcio Braga, manda muito bem nos estilosos aros redondinhos de acetato tartaruga

O ator Floriano Peixoto lança mão de uma armação semiflutuante (também conhecida como fio de náilon) comportada, mas bem interessante

Um zoom na discreta armação de receituário do ator global Hérson Capri, no ar com Aquele beijo, revela a “meia lua” das lentes bifocais. Precisa mesmo?
Rock in Rio, fatos e histórias


Na edição 2011 do festival, a Cidade do Rock, situada em Jacarepaguá, zona oeste carioca, recebeu 25 apresentações diárias em quatro palcos (Eletrônica e Mundo, Rockstreet e Sunset) nos sete dias de evento. O público continua grandioso, com cerca de 700 mil pessoas, mas ainda bem distante da primeira versão do evento, em 1985, que ultrapassava o célebre festival inglês Glastonbury e levava o posto de maior do mundo, com público de 1,38 milhão.
Até o começo da década de 80, eram raros os artistas internacionais que se aventuravam em solos brasileiros. Os tempos eram outros: além dos produtores que não eram ousados o suficiente para apostar em grandes shows, o país estava no auge da transição da ditadura para democracia. Por conta disso, os jovens da época estavam sedentos por qualquer tipo de manifestação de liberdade que até então era censurada. Foi então que Medina resolveu realizar um evento de proporções jamais vistas, com o estilo musical mais transgressor de todos: o rock.
Cidade do Rock – Por mais que shows em estádios de futebol sejam comuns hoje em dia, a situação nos anos 80 era bem diferente. À exceção de Frank Sinatra, que conseguiu lotar o Maracanã em 1980, o próprio governo parecia criar barreiras para qualquer artista, por mais famoso que fosse. Em 1981, o Queen já estava com apresentação fechada para tocar no Maracanã, quando reza a lenda que o então governador Chagas Freitas vetou tudo por puro capricho. Não é difícil imaginar a reação das autoridades ao saberem que uma verdadeira cidade de 250 mil metros quadrados estava sendo construída atrás do autódromo de Jacarepaguá.
O governador Leonel Brizola tentou vetar a realização do evento porque a Artplan, agência de publicidade de Roberto Medina, havia produzido a campanha política de um de seus concorrentes. Não fosse a intervenção do senador Tancredo Neves, que telefonou pessoalmente para Brizola impondo a realização do Rock in Rio, o festival não teria ocorrido. O então governador não se deu por satisfeito e, após o término da primeira edição, decretou a demolição da cidade a fim que o terreno fosse reintegrado ao patrimônio do estado.
Diante desses atropelos, a segunda edição do evento foi marcada para 1991, no estádio do Maracanã, cujo gramado foi adaptado para receber o palco e os espectadores (700 mil pessoas, nove dias de evento e astros como Prince, George Michael, New Kids on the Block, INXS, Billy Idol, Sepultura, A-Ha e Guns N’Roses).
Em meados do ano 2000, a Cidade do Rock começou a ser reconstruída no mesmo terreno, com a inédita capacidade de 250 mil pessoas por dia. Ao fim dos sete dias de rock em janeiro do ano seguinte, mais pedras voltaram ao rolar no terreno da cidade – dessa vez, para torná-lo uma das sedes das Olimpíadas de 2016.
Para essa quarta edição, a prefeitura do Rio construiu em parceria com Medina o Parque Olímpico Cidade do Rock, que será mantido para lazer da população e para as próximas edições do festival.

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